segunda-feira, 28 de junho de 2010


Não é o amor carnal que quero... É a imortalidade da tua alma... O olhar em reflexos castos.... O sol abrangente do teu sorriso, a beijar-me em permanência. Quero a tua cumplicidade imortal... Como se fosses malabarista foliando palavras, que se entrelaçam aos abraços e se refugiam, nas lágrimas choradas… Não é o amor carnal que quero… É o teu destino a completar o meu... A imutabilidade da tua presença... a descrever numa dócil transparência a sublimação do verdadeiro amor! Não procures mais a essência dos meus enigmas como quem busca aturdido, um mundo inexpugnável! É que para além do que faço há a verdade do que oculto. É que para além do que sinto há a verdade do que penso. Não procures mais decifrar o meu ego nebuloso como quem me afunda implacávelmente num rio subvertido e morto... Tal como o vento, sou aquela que muitos ouviram mas ninguém viu... Tal como o mar, sou aquela... que muitos quiseram mas ninguém possuiu! Mais do que "ira", sou vento zumbindo numa tempestade qualquer... Mais do que estranha... sou tudo quanto há de sublime na alma de uma mulher! Queria ser Luar para romper o breu das tuas noites escuras, ser uma singela Flor a germinar robusta nas tuas amarguras, queria ser Silêncio para calar a revolta infame que massacra o teu coração, ser a brisa do Mar em ondulantes afagos. A magia de um olhar ou a mais bela canção! Queria ser Amanhecer para iluminar de luz as sombras dos teus dias, Ser a longínqua Estrela que o teu olhar procura mas que nunca encontra. Queria ser o afago da Noite acalentar o teu sofrimento, para renasceres num novo dia. Ser a fantástica Melodia que embala o teu sono e te fala de poesia. Queria ser Lágrima para poder rolar, No teu rosto. Ser um doce Sorriso que navega serenamente nos teus lábios amargurados. Preciso sentir-te… Nas rosas que desfolho A pensar em ti, enamorada Inebriada pelo mesmo perfume Que a tua pele de musgo emana Sim ,amor… Preciso ouvir-te… Nos sussurrados gemidos que me embalam Nas extasiantes palavras que segredas Nos teus olhos lânguidos que falam Nos gritos carregados de silêncio Que ouço no teu corpo incendiado E nas tuas mãos em labaredas. Ah… amor… Preciso pressentir-te Em todos os lirios que florescem No fertilizante húmus do pensamento De caminhar em ti com o meu corpo Ofegante de ternura e segredos Para espantar todos os meus medos Sim, amor… Preciso encontrar-te… Até que a noite ensolarada Se extinga e se canse!

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